Entrevista com Andrea Name, docente e diretora do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), mestre e doutora também pela UEL
3) De que forma o projeto impactou a vida das pessoas?
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Dentre as muitas formas que mudamos a vida das pessoas nós fizemos um trabalho muito interessante com adolescentes. Nós trouxemos um grupo deles para a universidade para eles saberem a forma como eles podem ingressar na Universidade Estadual de Londrina (UEL), levamos esse grupo em diversos lugares da UEL para que eles pudessem conhecer vários cursos. Um deles, inclusive, demonstrou interesse em estudar design gráfico. Enfim, nossa ideia é trazer esperança para eles, mostrar que um dia eles podem fazer parte de uma universidade que é pública e foi feita para eles. Então, o impacto é muito grande. Muda o conceito e a forma de tratar essas pessoas e ainda muda a forma como eles são tratados pelos funcionários e por toda a sociedade. O nosso projeto atua em parceria com a Trilha da Cidadania da Prefeitura de Londrina que diz respeito às diversas casas nas quais as pessoas em situação de vulnerabilidade social passam até conseguirem uma independência cidadã. No entanto, só passar pelas casas ou ter um local para dormir não é o suficiente para que aquela pessoa recupere a sua cidadania. É preciso trabalhar de uma forma mais abrangente, seja na área da saúde, seja com documentação ou outros. A mudança que nós já obtivemos nesse projeto é tão grande que a Secretaria de Assistência Social de Londrina já procurou os docentes do CCS para sugerir a realização de capacitações. Daí nós começamos a fazer capacitações no nosso laboratório do curso de nutrição trazendo muitas pessoas das casas abrigo para apreenderem panificação, confeitaria. Tudo isso muda a forma como essas pessoas se veem, a forma como os próprios alunos enxergam a sociedade, a forma como a assistência em saúde é realizada e a maneira como realizamos o ensino na universidade. O impacto, portanto, abrange todos os atores e não apenas as pessoas que são atendidas pelo projeto.
4) Os resultados são tão expressivos que já estão pensando em aumentar a abrangência em Londrina e até levar para outras cidades do Paraná?
A ideia agora é expandir o projeto em Londrina, atendendo casas abrigo que atualmente não conseguimos prestar assistência, como as casas inclusivas, as quais abrigam pessoas neurodivergentes, como autistas e esquizofrênicos. Queremos também começar um trabalho com a Secretaria de Assistência Social para que a gente atenda as pessoas em situação de rua, fora dos abrigos. Além disso, devemos contribuir para um senso estadual que deve traçar um perfil dessas pessoas em situação de rua para que possamos ampliar ainda mais o nosso trabalho de forma a integrar outros cursos além da área da saúde.
*Lucas V. de Araujo: PhD em Comunicação e Inovação (USP).
Jornalista Câmara de Mandaguari, Professor UEL, parecerista internacional e mentor de startups.
@professorlucasaraujo (Instagram) @professorlucas1 (Twitter)