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Inovação social na área da saúde: o trabalho do CCS da UEL – Parte I

26 jan 2026 às 12:42

Entrevista com Andrea Name, docente e diretora do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), mestre e doutora também pela UEL



1) O Projeto “Centro de Ciência da Saúde como agente de transformação social na Trilha da Cidadania para pessoas em situação de rua”, sob sua coordenação, busca o quê e quais resultados ele alcançou?


Esse projeto começou em julho de 2024 quando nós assinamos um convênio com a Prefeitura de Londrina por meio da Secretaria de Assistência Social. Antes disso, eu fiquei um ano e meio alinhando todas as vertentes do projeto, dentre elas a conexão com a Secretaria de Saúde. Quando tudo isso já estava encaminhado, nós começamos o projeto que busca prestar assistência à saúde de forma lúdica, levando informações importantes para os moradores das casas abrigo do município por meio dos alunos dos cursos de graduação do CCS (medicina, farmácia, enfermagem, nutrição, odontologia e farmácia). Todos eles somados contemplam em torno de 1600 alunos, os quais precisam realizar ao longo do curso uma carga horária de extensão, isto é, de prestação de serviço à sociedade. Pensando nisso, os docentes do CCS propuseram um projeto que integrasse os alunos na realização de uma assistência humanizada aos moradores das casas abrigo, assim como também auxiliar no trabalho dos funcionários da prefeitura. Estes servidores desempenham um papel fundamental na educação e no convívio com esses moradores das casas de abrigo, com as pessoas em situação de vulnerabilidade social que precisam do nosso apoio. Para que o trabalho fosse integrado e trouxesse melhores resultados, nós estendemos nosso projeto aos servidores para que eles pudessem receber algum tipo de treinamento lidar com o público das casas de abrigo. Hoje chegamos à marca de 12 casas sendo atendidas, sendo três infantis, desde bebês até adolescentes que estão prestes a sair das casas, no total de aproximadamente 250 moradores e 80 funcionários do município, dentre os quais psicólogos, educadores e assistentes sociais. Para atender todo esse público, além dos nossos alunos, somos 40 professores do CCS e do CCB (Centro de Ciências Biológicas). O resultado tem sido tão expressivo, que já recebemos convite para ampliá-lo e abranger outros cursos da UEL não só da área da saúde. Já contamos, por exemplo, com oficinas realizadas pelo Departamento de Economia da UEL.



2) Que inovações foram geradas pelo projeto, sobretudo no campo social?


Este projeto é o primeiro no Brasil que faz esse tipo de prestação de serviço em saúde de uma forma diferente, que não se limita ao atendimento tradicional. Nós fazemos promoção de saúde, prevenção e tratamento. Quando realizados o atendimento e identificamos algo que não pode ser resolvido nas casas de apoio, criamos um fluxo no qual encaminhamos a pessoa para as Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município, as quais se encarregam de fazer o atendimento diferenciado. Por exemplo, levamos testes rápidos para doenças sexualmente transmissíveis nos nossos atendimentos. Quando identificamos algo, realizamos um fluxo de encaminhamento. Além disso, também trabalhamos com saúde mental, autovalorização, auto-higiene, autoimagem, prevenção de suicídio, tratamento e prevenção de alcoolismo, palestra sobre uso de drogas. Tudo de uma forma muito dinâmica e inclusiva. A propósito, é o primeiro projeto que faz algum tipo de assistência desse tipo para casa trans. Londrina tem uma casa trans com suas particularidades e nós estamos fazendo uma série de dinâmicas com essas pessoas para que ocorra uma mudança de assistência a essa população que precisa de uma assistência à saúde diferenciada.



*Continua na próxima semana



*Lucas V. de Araujo: PhD em Comunicação e Inovação (USP).


Jornalista Câmara de Mandaguari, Professor UEL, parecerista internacional e mentor de startups.


@professorlucasaraujo (Instagram) @professorlucas1 (Twitter)

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