Wanda caminhou até a geladeira: só ler, ler... resmungou, mexendo a cabeça para os lados e enrugando o nariz como quem cheira couve podre.
Tentei ocultar minha decepção e falei: – Wanda, vou lhe dar um livro de presente.
Procurei um de minha autoria e dei para ela. O fiz por puro egocentrismo. Todo autor no fundo é egoncentrista, quer mostrar-se. É de sua autoria? Perguntam com os olhos arregalados as vizinhas. A gente tem a oportunidade de mostrar o trabalho, desce os olhos com fingida humildade e afirma com um leve movimento de cabeça. Eu imaginava meu momento de triunfo... saboreava mentalmente o triunfo.
A diarista folheou algumas páginas e voltou a olhar a capa. Um "uuééé" muito sonoro escapou de sua garganta. Senti-me triunfante, ela descobrira o meu nome.
A diarista voltou-se para mim e perguntou:
– Sem figuras?
– É... – respondi já um pouco acanhada com o tom da conversa.
– Livro chato, né?
– Pode me devolver. Melhor eu procurar outro com figuras.
Devo admitir: Wanda é a melhor pessoa do mundo para derrubar a vaidade.