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Poema "Fome de Formiga" - ganhador do Concurso da Academia Campolarguense da Poesia

12 jan 2014 às 12:04

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FOME DE FORMIGA

Esses relógios têm umidade de raízes,
insondáveis como fantasmas,
obsessivos,
compulsivos,
espiam constantemente.

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A paisagem esculpe as janelas dos olhos
água de batismo umedece as retinas,
delata tempestades marinhas na escuridão do inconsciente.
A água salgada corre além das rochas,
esse mar, esse mar – quase uma gruta de sonhos.


O destino marca nossas horas – como os relógios moles de Dalí,
as horas do esquecimento e as horas vindouras
até que seja possível descobrir
(atônitos)
que as fatais formigas não mordem um relógio vermelho em um quadro,
elas mordem nossa subjetividade,
atacam nossa singularidade e devoram o queijo Camembert
(já derretido).

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Poema de Isabel Furini.
Esse poema conquistou o 1º Lugar no Concurso de Poesia da Academia Campolarguense da Poesia..


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