Naquela época, as flores tinham aroma constante, elas cresciam regadas de amor em canteiros livres, entre capins e matas silvestres. Os perfumes há que perfumes! Entre tantos, tinha o Almíscar Selvagem da Coty que hoje ninguém mais usa, só existe, desprezam-no simplesmente.
... As folhas secas das árvores caiam ao natural e na primavera, retornavam verdes, lindas, resplandecentes.
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... Os pássaros eram estimados, alguns criados em gaiolas com portas abertas, saiam e retornavam, não tinham medo. Não os vendiam na clandestinidade, nem judiavam. Eram despreocupados.
... Os animais para abate, nasciam e cresciam naturalmente, sem injeções que degradassem seus corpos. As carnes eram sadias, gostosas de sabor imensurável. Para comercializá-las não vendiam sem completar seu tempo.
... Os oceanos e rios eram límpidos, não precisávamos testá-los com aparelhos sofisticados; as praias quando tocávamos, víamos nossos pés, lá no fundo, alvas e belas. Bebíamos águas cristalinas de lagos e poços profundos.
... Quando erguíamos os olhos aos céus eles brilhavam, notava-se total a natureza do universo, autentica, sem fumaça ou relevo.
... Os seres, os seres eram humanos, eles respeitavam-se. Humildes, não tinham medo uns dos outros, acreditavam. Existiam famílias com muitos filhos, ao casarem, juntos permaneciam. A televisão branca e preta foi novidade, pegou-nos de surpresa. Havia auditórios, com programas de rádio, matinês aos domingos e circos por todos os lados. Nos colégios liam Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis e os livros de Jorge Amado. Ouviam musicas românticas de cantores consagrados e dançavam de rosto colado. Nos armazéns, por valores baixos, compravam-se charque, bacalhau e vinho do porto. Há! E os jovens namoravam.
... Os povos não conheciam stress, nem eram apressados; paravam ao lado das ruas sem asfalto, despreocupados, conversavam e contavam causos engraçados. Vibravam com as conquistas de seus semelhantes, felizes, davam destaques. As pessoas elogiavam-se, comoviam-se e choravam.
... Naquele tempo os seres, os seres amavam-se.