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O poderoso Felipe (Conto de Ilario Iéteka)

21 ago 2018 às 10:56

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Felipe, esposa e filho moravam em um pequeno povoado. Homem de poucos amigos era arrogante e desprezível. Fez o dinheiro sua idolatria.

Proprietário de terras e dono do único moinho nas redondezas. Ganancioso, só pensava em lograr seus vizinhos. Fazia muitas promessas, mentia descaradamente. Seu estilo era a perversidade. Ele tinha certeza que era esperto e se senti seguro em aplicar golpes em todos que precisavam de seus serviços, pois era único dono das moagens de cereais.

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Os pequenos lavradores que plantavam com dificuldade eram obrigados a usar os moinhos de Felipe, pois necessitavam descascar suas sacas de arroz, de milho para fazer quirera e fubá. Famílias humildes eram ludibriadas pelo espertalhão. Além de sofrerem para produzir seu trabalho, o pagamento pelo produto tinha quebra de cinqüenta por cento. Esta diferença era embolsada pela ganância de Felipe.


Felipe ficava cada dia mais rico e seus vizinhos o praguejavam pela crueldade que fazia. Tirava dos pobres, o pouco capital que tinham para se alimentar. Demonstrava-se esbanjando e não abria mão de um trocado para ajudar um necessitado.

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Crianças passavam fome devido aos seus atos. Seus pais trabalhavam sem descansar em suas lavouras, mas o lucro era do Felipe. Muitos diziam:


- Este desgraçado vai pagar caro, chegará um dia que terá seu castigo. Vai querer comer e não poderá saciar a fome e não terá um amigo para lhe dar um copo d’água. Queremos ver se o dinheiro pode trazer-lhe tudo nessa hora, como ele mesmo diz.

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Esse homem pensava que viveria para sempre e continuava a menos prezar a todos. Era debochado, sorria das desgraças alheias. Não acreditava em nada. Dizia:


- Com meu dinheiro compro de tudo e o que quero!

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Realmente Felipe conquistou o topo, mas pelo caminho do destino se obrigou a voltar. No meio de seus ricos planos, seu único filho se acidentou e acabou morrendo. Para seu desespero, tudo que acumulou para seu herdeiro, já não tinha o mesmo sentido. A esposa adoeceu pela perda e caiu em depressão, faleceu logo em seguida. O dinheiro do casal não resolvia esses problemas, porque as soluções vêm do verdadeiro Deus.


O homem todo poderoso acabou ficando sozinho. Não tinha mais amigos, parentes, parecia ser o único de sua estirpe. Felipe viveu alguns anos com o peso de sua cruz, pagando seus pecados. Dinheiro já não possuía. O moinho tinha outro dono. Vivia desanimado, sem alegria, mas continuava arrogante. O cerco foi se fechando e o castigo veio com força. Adquiriu um câncer labial. Começou sua derrocada. Vendeu suas terras, pensou que com este dinheiro ainda salvaria sua vida, mas não foi isto que aconteceu. O câncer avançou pelo rosto e garganta. Começou a sentir fome, sendo o pior dos castigos. A fome relembra os sentimentos daqueles pobres lavradores e suas crianças que passavam necessidades por culpa e ganância do Felipe. Ele sofreu aproximadamente quatro meses, com fome, com sede, sem amigos. Abandonado em um quarto de hospital. Aquele homem forte acabou virando um esqueleto, só pele e osso. Morreu as mínguas, sem ter um único amigo para lhe servir um copo de água.

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Tudo que fez com a maldade no coração, foi um lindo castelo enorme, porém desmoronou porque a base foi construída encima da areia. Seu corpo foi carregado por desconhecidos e sepultado como se fosse um indigente. Como nunca fez o bem, pagou caro e seus vizinhos magoados que ainda lembravam dos atos maldosos, comentavam:


- Que isto lhe sirva de lição!


A lição não serviu para Felipe, porque morreu sem entender os motivos que a vida lhe apresentou para mudar. Esse conto é real, então que a vida de Felipe seja para todos aqueles que pensam como ele, que não compramos sentimentos que brotam da alma e nem os milagres de Deus. O fim do ignorante e dono da ganância é uma cova rasa. Tendo sua nova morada, o novo castelo que na verdade é um tumulo abandonado. Sabemos que o único legado que podemos deixar deve ser o registro de nossos atos misericordiosos e amigáveis na vida das pessoas, porque sem essas obras, todo poderoso, aquele rico, com o tempo será esquecido para sempre, e até sua última morada será esquecida e será apenas pó sobre a terra que outros homens pisam.

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Ilario Iéteka é cronista e contista, autor de "Um filme jamais esquecido e outras crônicas".


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