Você, em algum momento, parou para pensar no poder das palavras?
Não estou falando de mantras nem de orações religiosas, mas, de palavras... palavras simples como: "você é inteligente", "você é burro", "você está linda", "você está gorda", "você é um triunfador", "você é um fracassado", "você está pálido", "você parece um morto-vivo", enfim, palavras que alegrem, entristeçam, ofendam, deprimam, entusiasmem, motivem.
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Já o velho Esopo deve ter notado essa característica humana, porque escreveu uma fábula sobre um rei que pediu a seu conselheiro um alimento capaz de ajudar a humanidade. O conselheiro, muito sábio, solicitou que o cozinheiro preparasse um guisado de língua. Alguns dias depois, o rei quis comer algo que tivesse o poder de destruir os homens. O conselheiro foi até a cozinha e ordenou, novamente, servir ao rei um guisado de língua.
A palavra é tão importante para o comércio que especialistas debatem durante horas a fio sobre palavras e frases que serão usadas nas campanhas publicitárias. E sempre se dá preferência ao idioma coloquial, comunicativo e eloqüente.
Alguns professores de letras reclamam porque uma propaganda antiga, muito famosa, tem um erro de concordância verbal, além do uso do "pra", que é informal. Não é correto vem pra (nome do Banco) você também. No imperativo a frase deveria ser: venha para (nome do Banco) você também. Só que a segunda frase, ainda que corretíssima, perde força e encanto.
O idioma coloquial é sempre mais comunicativo. Durante vinte anos ministramos aulas de Oratória e tivemos casos inesquecíveis, como aquele dono de lojas de calçados - que nem havia terminado o ensino fundamental e, ao receber um convite para falar em público, querendo fazer o melhor, contratou um técnico em informática para montar a apresentação no Power Point. Ele teimou em usar terminologia típica de livros universitários Depois de quinze minutos de palestra percebeu que as pessoas bocejavam.
– Espero não estar cansando vocês – disse o palestrante intimidado.
Um senhor da primeira fileira respondeu: – Nós não queremos saber sobre processos econômicos. Para isso existem revistas, livros e sites especializados. Nós estamos aqui para saber como você chegou a ser um homem de sucesso. Fale de você.
A intervenção foi muito benéfica. O orador confessou que estava muito nervoso com a palestra, deixou de lado o jargão universitário e começou a falar com palavras simples. Lembrou de seu humilde início no comercio na década de 70, como atendente de loja, e do "olfato comercial" como ele chama ao fato de perceber oportunidades onde outras pessoas não enxergam nada. Em 1980, abriu um pequeno negócio e, em dez anos, conseguiu passar de funcionário a dono de uma rede de lojas. Era isso que o público queria escutar, e os aplausos ecoaram na sala.
Palavras, palavras, palavras; elas têm o poder de construir e destruir, de erguer e derrubar, como tão eloqüentemente expressou o poeta Rudyar Kipling: as palavras são as mais poderosas drogas utilizadas pela humanidade.