Falando de Literatura

"o banquete líquido do não-amar" de Daufen Bach - Tela de Carlos Zemek

01 jun 2014 às 20:16

o banquete líquido do não-amar"

lá fora, a multidão solitária,
com seus escafandros tingidos de sexo,
inundam as madrugadas vazias.


morre devagar a coragem do amanhecer dos homens.


se pudessem sentir o crispar da pele
na parte de dentro da alma
e bebessem o líquido dos corpos que usam,
não deixando-os seguir pelas correntezas anônimas,
arrastados pelos ímpetos e solidão,
gozariam a essência da partilha e iluminariam
os olhos da coragem do existir para o ser e o sentir...
seriam tão belos e divinos!


ah covardia!
noites de cristais líquidos e de luminescências leds,
de amores arrotados sem compreensão,
vazios de universalidade,
prendidos no egoísmo do medo do ser e do sentir...
mostra-te sensível e contemplativa
e não coisa sem substância.

lá fora, a multidão amanhece
para os seus quartos solitários, para os sentires de meia hora.
líquidos, anônimos...
existem para o medo de se perderem em olhares.


Continue lendo