Éramos quatro. Meu marido, dois filhos na idade de 10 e 12 anos e eu. Compramos um pacote pra Europa e um dos destinos: Paris, a cidade luz. O nosso grupo era formado por brasileiros, portanto não haveria problemas com o francês, porque o guia resolvia tudinho. Acontece que decidimos fazer passeios sozinhos e que fossem do interesse das crianças. Munidos de um mapa fomos descobrindo Paris numa mistura de inglês/portunhol e muitos, muiiitos gestos seguíamos em frente.
Na primeira estação de metrô, empacamos. Queríamos ir a determinado lugar e fomos até o guichê. Perguntei à funcionária qual linha de trem deveríamos pegar, indicando no mapa o local desejado. Ela entendeu perfeitamente, apontou para cima e disse: shushuashuashuashushua La chapelle e encerrou o papo. Eu só entendi "la Chapelle". Pensei alto: lógico, a gente deve sair daqui, subir as escadaria e encontrar uma Capela. Em frente estará a estação a qual procuramos.
– Hei! pessoal, vamos lá??
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Subimos as escadaria e "olha pra cá, olha pra lá", andamos mais uma quadra e nada...nada... Pensei, essa moça tá gozando com a nossa cara...vamos voltar. Retornamos à estação e devolta ao guichê: Please madam...ela nos reconheceu, respirou fundo, apontou para cima e disse: shuashuashuashuashua lá Chapelle. Ah!! Me fiz de entendida e disse pro meu marido: vamos de volta. Ela falou que tem uma Capela lá em cima, vamos encontrá-la desta vez. . Retornamos e anda pra lá e pra cá e nada de Capela. Ah! Não!! Agora ela me paga. Vamos retornar e perguntar de novo. Ninguém mais queria me acompanhar,(penso que estavam com vergonha) mas eu estava inconformada por não encontrar a tal capela.
Voltamos á estação e quando chegamos a frente do guichê ela nos viu e começou a gesticular, bastante irritada, e já apontando prá cima.
Meu marido, me puxando pro lado, disse: - chega de perguntas, vamos descer essas escadarias e ver o que acontece. Descemos vários lances e ao chegarmos à plataforma de embarque, olhamos para cima. Havia uma enorme placa indicativa LA CHAPELLE. Era ali que deveríamos ficar e esperar o metrô. Olhamos-nos e caímos na gargalhada. Só não tive coragem de voltar e dizer que finalmente encontramos o lugar certo.
Ângela Reale - atriz, escritora e radialista.
(Com autorização da autora, o texto foi publicado no jornal Zero Hora em 29 de janeiro de 2008).