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Meus poemas premiados

25 out 2014 às 11:16

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Recebi e-mail de uma leitora que gostaria de conhecer meus poemas premiados. Obrigada, Lúcia, pelo e-mail. Esses poemas já foram divulgados na internet, mas vou reunir os que ganharam 1º, 2º e 3º lugares, e deixarei os 8 poemas que receberam Menção Honrosa para outra oportunidade. Como dizia muito bem o escritor uruguaio Horacio Quiroga: "Não abuse do leitor". Na continuação meus poemas premiados seguindo ordem cronológica:


O POETA

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Sonha com poemas
e acorda na noite,
escrevendo com os dedos
versos no ar.


Adora
navegar sobre ondas de folhas em branco,
velejar nos cadernos novos,
pular sobre areias de palavras,
correr na praia procurando o Verbo.
Livros, cadernos, papéis e mais papéis...

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Continua a lutar com ondas indomáveis,
organiza os termos,
mas só ancora no oceano dos sentimentos.
Nesse instante,
o poeta compreende o poder do caos primordial.
Isabel Furini


1º lugar no Concurso de Poesia de São José dos Pinhais, PR, em 2002. Escolhido para o Projeto Leitura no Metro de Belo Horizonte (MG) parceria entre o Programa da A tela e o texto da UFMG e a CBTU - Companhia Brasileira de Trens Urbanos.

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EL GRITO

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Yo conozco una calle
que se alarga y se aleja.


Una calle desierta,
con ventanas cerradas,

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donde tu amor murió
y el recuerdo se agranda.


Tu amor se tornó viento,
huyó al anochecer

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recorrió las ciudades
y se fue a esconder


en una cueva oscura
de una montaña olvidada.

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Un grito dió mi alma
solitaria y antigua...


Un grito silencioso,
sin bemoles, sin rimas...


fue un grito de angustia
desesperado y triste.


Agonizante grito,
que estremeció la penumbra.

Isabel Furini


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QUARTO SEM SOMBRA


Esquecido do mundo, Van Gogh pinta.
Seus quadros são cartografia de subterrâneos traumas
tatuados no corpo e nas mãos.


O eu instintivo
(adolescente)
extravasa emoções,
extasia-se nas cores dos trigais,
no voo dos corvos,
nas expressões dos rostos operários,
nas luzes de Arles.


Pinta em um ritmo alucinante,
pinceladas justapostas ganham vida.
Obsessivamente
retrata seu quarto com movimentos compulsivos.
Seu quarto não tem sombras,
ignora-as,
(elas o aterrorizam com suas histórias).


Mas as sombras
tentam entrar pela janela entreaberta.
Espreitam
(invisíveis)
desde as paredes do quarto do quadro do artista.


A loucura perambula pela casa amarela.
Isabel Furini


1° LUGAR - Academia Itapemense de Letras/SC - 2011.



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FOME DE FORMIGA - de Isabel Furini
Esses relógios têm umidade de raízes,
insondáveis como fantasmas,
obsessivos,
compulsivos,
espiam constantemente.
A paisagem esculpe as janelas dos olhos
água de batismo umedece as retinas,
delata tempestades marinhas na escuridão do inconsciente.
A água salgada corre além das rochas,
esse mar, esse mar – quase uma gruta de sonhos.
O destino marca nossas horas – como os relógios moles de Dalí,
as horas do esquecimento e as horas vindouras
até que seja possível descobrir
(atônitos)
que as fatais formigas não mordem um relógio vermelho em um quadro,
elas mordem nossa subjetividade,
atacam nossa singularidade e devoram o queijo Camembert
(já derretido).


Isabel Furini
Esse poema conquistou 1º Lugar no Concurso da Academia Campolarguense de Poesia - 2013.


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KATHARSIS


Curvas de palabras sobre abismos.
Un poema invade mi soledad
deflagrando una catarsis profunda.


Huellas de noches mal dormidas,
alumbradas
con fósforos encendidos por maníacos
ofuscados por la extraña búsqueda
de mariposas de amatista.


Olas de palabras subterráneas
azotan el hierro oxidado del navío de mi vida.
Tempestades inclementes
arrastraron mis horas y mis versos
para el océano de los recuerdos.
Isabel Furini


2º Lugar Revista Katharse - Espanha


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GESTAÇÃO POÉTICA

cinzelar algum poema com a cor
do vento do deserto
seco e angular
(como a vida)
olente jasmim selvagem
quase agressivo


cinzelar algum poema como a vida
(amalgama de emoções)
com alegrias, aborrecimentos e paixões
para estar além dos muros
íntegro e puro
em cada verso.
Isabel Furini


2º Lugar Concurso ALEPON (Academia de Letras de Ponte Nova/Minas Gerais)


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VINHEDO

Oscila o pêndulo do passado entre cachos de uvas e cantos.


O som da concertina sacode a casa,
a avó viaja até o velho povoado
contemplando as fotografias desbotadas
do álbum.


Do manto das lembranças colhe risos,
beijos, abraços,
o gosto das uvas e o Sol italiano.

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3º Lugar no Concurso da Universidade Federal Fluminense - Niterói/Rj, 2011.


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