Gerardo Rabello pronunciou uma frase enfática: "É por isso que eu fiz
questão de reunir toda minha família, menos Luiza, que está no Canadá".
A publicidade teve um impacto inesperado. O vídeo foi assistido milhares de
vezes, propiciando a venda dos apartamentos de luxo. E a Luiza, que estava no
Canadá (e entendemos que isso também mostra status, pois o Canadá é um
país de primeiro mundo, cujas línguas oficiais são o inglês e o francês –
chiquérrimo, não é verdade?) voltou.
A vida não só gravou um comercial sobre os apartamentos, como também foi
procurada por programas de TV e por empresas de publicidade.
No Jornal do SBT, na quinta-feira, 19 de janeiro, Carlos Nascimento ironizou:
"Luiza já voltou do Canadá e nós já fomos mais inteligentes".
O impacto da frase de Carlos Nascimento fez com que muitas pessoas
refletissem sobre a superficialidade que impera na mídia. O interessante é que
os programas que abordam assuntos mais sérios, em geral, têm menos
audiência. Parece que popularidade e superficialidade andam de mãos dadas.
Mas será que isso é uma atitude nova no ser humano?
Lembrei-me de Heráclito de Éfeso, um filósofo que desprezava o povo porque,
em sua opinião, o povo era incapaz de refletir sobre questões sérias. Platão, o
filósofo ateniense, também colocou na boca de Sócrates reflexões sobre o
assunto no livro "Alcibíades". O jovem Alcibíades era belo e ambicioso. Ele falava
o que o povo queria ouvir para aumentar a sua popularidade, e o povo o seguia.
Os seres humanos mudam exteriormente: roupas, objetos, tecnologia, mas
interiormente as mudanças são mais lentas. Na Roma falavam que para dominar
e evitar revoltas só era necessário dar ao povo "pão e circo". Atualmente, a
mídia impera. A internet chegou para ficar, e com o poder de despertar
interesse, mexer com emoções, criar ídolos da noite para o dia. A Luiza se
tornou famosa "em um abrir e fechar de olhos", enquanto muitos cientistas que
trabalham em pesquisas que poderão ajudar a vencer doenças graves,
ecologistas que lutam pela sustentabilidade do planeta, em geral, são figuras
anônimas. Entendemos a revolta do jornalista Carlos Nascimento, mas parece
que o binômio "popularidade-superficialidade" não é tão novo quanto parece.
Crônica de Isabel Furini - escritora, poeta premiada e palestrante. Autora de O
Livro do Escritor da Editora Instituto Memória. Orienta oficina de contos e crônicas
no Solar do Rosário. Fones (41) 3225-6232 (41) 8813-9276.