No dia 06 de outubro, a partir das 10h30min, no Paço da Liberdade, Praça Generoso Marques, 189, Curitiba/PR, o professor e escritor Alvaro Posselt lançará o livro "Tão breve quanto o agora". Alvaro já participou de várias coletâneas de minicontos e de haicais, mas este é o seu primeiro livro individual.
"Tão breve quanto o agora" é uma obra composta de 59 poemínimos, todos com 3 versos cada. Não se trata de haicai tradicional, pois a maioria privilegia o humor, a metalinguagem e o lúdico, e algumas características da poesia são bem marcantes, como a rima, principalmente, a aliteração e assonância, a métrica e o ritmo. Por exemplo:
a letra A tremeu na base
ao topar com outro A
teve uma crÀse.
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Os poemas brincam com as situações do cotidiano e exploram a brevidade, a impermanência das coisas.
A vida é um flash
entre quem está parado
e quem se mexe.
Aproveitamos a oportunidade para entrevistar esse poeta do quotidiano.
1. Alvaro, há quanto tempo você escreve poesia? Como começou a escrever? Teve incentivo de alguma pessoa ou de alguma instituição?
Alvaro: Minhas primeiras pinceladas aconteceram nos meados dos anos 80, eu tinha uns quinze anos. Coisa de adolescente. Eu era tímido, sonhador, ainda sou! Meu incentivo nessa época foi um amigo, Gilmar Marcondes. Íamos ao centro toda semana. Eu queria comprar vinil, ele, ir à Biblioteca Pública. No começo, eu achava muito chato, mas com o tempo fui me soltando. Quando me dei conta, lia um livro no horário do almoço no trabalho e outro em casa à noite. Sou muito grato a ele por isso.
2. Qual é o poeta que você mais admira?
Alvaro: Na época citada, eu lia muito Helena Kolody, Drummond, Bandeira, também Castro Alves e Bilac. Não há um nome específico para esta pergunta, mas não posso deixar de citar Mário Quintana, Leminski e Millôr.
3. Curitiba é um berço de muitos poetas, na atualidade, quais são na sua opinião os que mais se sobressaem?
Alvaro: Curitiba tem muitos poetas, e dos bons! A lista é enorme, não cabe aqui. Eu acho que estamos consumindo cada vez mais a poesia local. Espero que em breve não seja preciso só citar os nomes consagrados.
4. Quem escreveu o prefácio do livro?
Alvaro: Lau Siqueira, um poeta gaúcho que mora há mais de 20 anos em João Pessoa. Já escreveu 5 livros. Tive o prazer de conhecê-lo em 2010, quando passou por Curitiba para lançar seu livro Poesia sem pele. Fiquei muito feliz quando ele aceitou meu convite para assinar o prefácio.
5. Você vai lançar o livro junto com a jornalista e poeta Marilia Kubota. Os livros têm alguma relação? Os poemas de vocês têm pontos em comum?
Alvaro: Nossos livros são bem diferentes. Os poemas da Marilia refletem sobre o fazer poético, são inquietantes e reflexivos. Já os meus, na maioria, carregam uma dose de humor, ironia, são lúdicos. O ponto em comum é a metalinguagem.
6. Alguns escritores esperam aplausos, outros, mudar conceitos dos leitores, outros ainda, divertir ou informar. Qual é o objetivo desse livro de poemas?
Alvaro: A leitura dos meus poemas, à primeira vista, é muito descompromissada. Há o sorriso, o riso, mas também há a reflexão por trás disso, não em tudo. Creio que isso poderá passar despercebido. Por outro lado, também trabalho com as características da poesia. Espero que meus colegas professores possam usá-los em suas aulas. Se no final do livro, o leitor abrir um sorriso, levar um poema ou outra na memória, eis o meu objetivo.
7. O que você espera do leitor?
Alvaro: Boa pergunta! O que me vem como resposta é uma pergunta: o que o autor espera de mim?
8. Quais são os seus livros de poema de cabeceira?
Alvaro: Ultimamente tenho lido só haicai. Quero voltar a estudar mais a sua teoria. Já me tornei um praticante disciplinado. Quem sabe o próximo livro seja de haicais. Estou lendo uma coletânea de autores japoneses chamada: Haicais – Poesia do Japão, com tradução de Geir Campos.
9. Na sua opinião, qual é a característica mais marcante de seu livro?
Alvaro: É o humor, o lúdico. Em 2008, eu estava tentando fazer haicais, foi então que comecei a escrever tercetos livres. Através dessa liberdade encontrei meu estilo, muito influenciado pelo haicai.
10. Quais orientações você daria aos novos poetas?
Alvaro: Um poeta não se inspira, ele transpira. Todo mundo tem seu lado poeta, mas isso não basta, é preciso praticar, ler, estudar, ter autocrítica.