Essa crônica foi inspirada em uma tela do artista plástico Sady Raul Pereira. A tela fez parte da exposição "Pinturas Recentes", no mês de agosto/12, no Solar do Rosário, Curitiba.
ELA, A DAMA BELA
Aos poucos a imagem se forma.
A transformação do rosto vem com o tempo. O tempo que esculpiu gerações nela.
Ela é feita do que foi feito. Multidões para resultar nela.
À distância dos olhos fica mais fácil de perceber como ela é bela. As minúcias são como cicatrizes que teimam em aparecer quando nos aproximamos. Mas de longe não. De longe, ela é a multidão. De longe, ela é ela.
Inexplicável formação resulta da deformação de outras dela.
É a soma de seus amores, a sombra de suas perdas. Das mãos por onde passou, pintaram ela.
Ela é feita da aquarela, que no mais azul vira céu, e na mais púrpura, vira flor mais bela.
O plural da existência acercado por tons de luta e beleza pincelaram o que me é tão bela, tão ela.
Minha dama das cores fortes, que de pálida não possui nem a fronte, que viva, pra sempre, vai ser ela.
Marina Carraro participou da oficina "Como Escrever livros" no Solar do Rosário.