Antes desprezadas por estudiosos, cartas hoje são consideradas fundamentais para o entendimento da produção literária.
A 48ª edição do jornal Cândido, editado pela Biblioteca Pública do Paraná, rua Cândido Lopes, 133, centro, Curitiba,traz um especial sobre a troca de correspondência entre escritores. De Rubem Braga a Vinicius de Moraes, de Goethe e Schiller, de Paulo Leminski a Régis Bonvicino, a lista de autores que trocaram cartas é imensa. Esses relatos são cada vez mais utilizados pelos estudos literários para compreender temas, obras e autores.
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Especialistas como Pedro Theobald, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), e Marcos Antonio de Moraes, docente da Universidade São Paulo (USP), explicam como esse tipo de material passou anos sendo desprezado pelos estudiosos e hoje é considerado imprescindível para o estudo da produção literária.
"Acreditava-se que era adequado manter uma separação rígida entre o que a pessoa era e o que produzia. Hoje, no entanto, percebe-se que praticamente nada é desprezível, as informações mais ínfimas podem servir não só para documentar a biografia de um autor como também esclarecer o seu processo de criação, a gênese de sua obra", diz Pedro Theobald.
O especial também inclui uma análise feita pela professora da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) Ligia Fonseca Ferreira. Ela fala sobre a trajetória de Luiz Gama, intelectual brasileiro negro, e pouco conhecido, a partir da troca de cartas do autor com outros interlocutores.
O escritor paranaense Wilson Bueno também manteve intensa troca de correspondência com o paulistano João Antônio. Duas dessas cartas, cedidas por Luiz Carlos Pinto Bueno, depositário do acervo do escritor paranaense, são publicadas com exclusividade pelo Cândido.
A edição ainda traz um ensaio de Roberto Prado sobre a trajetória do seu irmão, o poeta Marcos Prado, morto em 31 de dezembro de 1996 além de poemas inéditos do artista que marcou a cena poética e musical de Curitiba nos anos 1980 e 1990.
Para falar sobre biografias, a equipe do Cândido conversou com Toninho Vaz, autor de O bandido que sabia latim, sobre Paulo Leminski que saiu de circulação devido a um desentendimento do autor com as herdeiras do poeta curitibano. Poemas inéditos de Fabrício Carpinejar e Marcelo Backes, um fragmento de romance de Jair Ferreira dos Santos e um Perfil do Leitor com Dado Villa-Lobos completam a edição.
Serviço
O Cândido tem tiragem mensal de 10 mil exemplares e é distribuído gratuitamente na Biblioteca Pública do Paraná e em diversos pontos de cultura de Curitiba. O jornal também circula em todas as bibliotecas públicas e escolas de ensino médio do Estado. É enviado, via correio, para assinantes a diversas partes do Brasil. É possível ler a versão online do jornal em www.candido.bpp.pr.gov.br. O site também traz conteúdo exclusivo, como entrevistas, vídeos e inéditos.
Fonte: BPP