Falando de Literatura

Carta a meu pai - por José Aparecido Fiori

09 ago 2014 às 22:14

CARTA A MEU PAI
Pai, como vai? Quanta falta faz um pai. Perdi meu pai, Horácio Fiori, exatamente no dia do meu aniversário, 8 de agosto, quando eu fazia 15 anos. Não tínhamos dinheiro para sepultá-lo. Os irmãos fazendeiros do meu finado pai fizeram uma vaquinha e pagaram o velório, um caixão bonito de primeira, talvez o mais caro do mercado funerário.

Ajudei a carregar o caixão, depois do corpo bento pelo padre Rino, na Igreja de Ibiporã, até o cemitério. Senti o peso do seu corpo tão leve, magérrimo que estava quando nos deixou tão precocemente. Tinha orgulho deste meu pai, orgulho bom, porque ele era de bom coração, era honesto e justo, não devia e morreu não devendo pra ninguém. Tinha essa mania de dizer de seu bom caráter, que não devia em boteco nenhum, onde ia tomar suas pinguinhas, o rabo de galo, a pinga com quinado. Exemplo de pai, como era bom tê-lo. Mas se foi, aos 44 anos de idade.

José Aparecido Fiori é escritor e jornalista. (Texto publicado com autorização do autor).


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