Estive lá, ontem, na Casa da Doida, da Maluca, sei lá. Era uma casa mesmo,
ao estilo das casas do Rio. Com quadro nas paredes, pinturas de gente que
faz o que gosta. Do lado de fora, as mesinhas com cadeiras, o bom clima,
a conversa saindo solta, os risos e as afinidades.
As pessoas chegavam felizes com expectativas de encontrarem ali, os seus.
Os seus quase familiares, os seus quase iguais, os seus agora, idênticos em
suas paixões. A paixão pela poesia, pela expressão de ser. Entre tantos poetas
e declamadores, um foi meu herói. Se eu pudesse, também votaria nele.
Com um esforço enorme, representava ali com todos os gestos o seu povo. Fugido,
saído da pátria, buscava o ninho perfeito, que acolheu suas imensas saudades do
Haiti, ali na Casa da Doida.
Helena Maria W Gomes
(Crônica inspirada no Concurso de Declamação Poetizar o Mundo, organizado por Isabel
Furini em 15 de outubro, no Restobar Dona Doida, Curitiba).
Helena Maria W. Gomes