3) Qual seria o papel do Poder Público para o
fomento da inovação? Ele deve trabalhar de maneira a possibilitar maior
proximidade entre universidades, instituições, empresas, ou realizando
investimentos em pesquisa, por exemplo, em forma de bolsas de estudo?
Podemos pensar em
fundos, podemos pensar em créditos através de bancos como o BRDE, nós temos que
pensar também em tributação reduzida para essas iniciativas, de forma a gerar
incentivos a esses negócios. Não basta, porém, ter essa estrutura se você não
cria as pontes, não coloca as pessoas juntas. O Governo com a dimensão que ele
tem, ele pode criar essas pontes, caso o setor privado não o faça. Algo que me
chamou muito a atenção no Station F em Paris, um dos maiores hubs de inovação
do mundo, foi que tudo aquilo é da iniciativa privada. Não tem a mão do Governo
ali dentro. Começou com um mecenas, um bilionário, que quis fazer um
investimento na criação daquele espaço, onde há startups que foram criadas há
pouco tempo ao lado de empresas gigantes de tecnologia, de forma que elas
possam interagir e eventualmente uma grande empresa possa financiar uma empresa
menor. Então, se o Estado fizer esse papel fomentador de aproximação, é algo
bastante positivo. A gente acredita na inovação e na tecnologia, mas às vezes é
preciso um empurrãozinho do Estado. Não um empurrãozinho no sentido de
direcionar isso porque não funciona. A gente não pode querer que o Estado
assuma uma função de dirigir os investimentos porque as novas ideias precisam
ser livres. A gente pode, pelo menos, aproximar as pessoas que têm demandas e
as pessoas que têm soluções, a meu ver, é passo importante e o Estado pode
exercer essa função.
4) O senhor
afirmou que muitas vezes as universidades públicas ficam um pouco fechadas em
seus próprios problemas. Como o senhor acredita que é possível lidar com esse
contexto de forma que as universidades possam tomar iniciativas para o
desenvolvimento da inovação?
Podem ser feitos
contratos de licenciamento de tecnologia com empresas privadas, investir mais
em pesquisa e tecnologia, trazer mais o setor privado para dentro das
universidades, levar as universidades para esse diálogo com empresas de forma a
buscar soluções para os problemas do dia a dia. Claro, respeitando sempre a
propriedade intelectual, o que pode até se tornar uma fonte de receita
relevante para as próprias universidades, que tem um problema crônico de
receitas para seus campi. Quem sabe esse trabalho de criar produtos, criar
patentes, possa também ser uma forma de ajudar na obtenção de receitas
necessárias para suas atividades. Há uma visão de que as universidades estão
trabalhando para si mesmas e não voltadas às necessidades da população e do
setor privado, o que é muito ruim. Então, talvez seja importante pensar em
avaliações de desempenho das universidades baseado em critérios dessa espécie,
como por exemplo, quantas patentes foram registradas, quais foram as parcerias
feitas com o setor privado. Não no sentido de punitivista, mas de incentivar
que se abra mais ao diálogo com as empresas.
*Lucas V. de Araujo: PhD em Comunicação e Inovação
(USP).
Jornalista Câmara de Mandaguari, Professor UEL,
parecerista internacional e mentor de startups.
@professorlucasaraujo
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