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INOVAÇÃO E EMPREENDEDORISMO

Entrevista senador Sérgio Moro – Parte II

Lucas V. de Araújo* - Colunista da Folha de Londrina
05 jan 2026 às 12:41

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Foto: Assessoria Sergio Moro/Divulgação
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3)  Qual seria o papel do Poder Público para o fomento da inovação? Ele deve trabalhar de maneira a possibilitar maior proximidade entre universidades, instituições, empresas, ou realizando investimentos em pesquisa, por exemplo, em forma de bolsas de estudo?

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Podemos pensar em fundos, podemos pensar em créditos através de bancos como o BRDE, nós temos que pensar também em tributação reduzida para essas iniciativas, de forma a gerar incentivos a esses negócios. Não basta, porém, ter essa estrutura se você não cria as pontes, não coloca as pessoas juntas. O Governo com a dimensão que ele tem, ele pode criar essas pontes, caso o setor privado não o faça. Algo que me chamou muito a atenção no Station F em Paris, um dos maiores hubs de inovação do mundo, foi que tudo aquilo é da iniciativa privada. Não tem a mão do Governo ali dentro. Começou com um mecenas, um bilionário, que quis fazer um investimento na criação daquele espaço, onde há startups que foram criadas há pouco tempo ao lado de empresas gigantes de tecnologia, de forma que elas possam interagir e eventualmente uma grande empresa possa financiar uma empresa menor. Então, se o Estado fizer esse papel fomentador de aproximação, é algo bastante positivo. A gente acredita na inovação e na tecnologia, mas às vezes é preciso um empurrãozinho do Estado. Não um empurrãozinho no sentido de direcionar isso porque não funciona. A gente não pode querer que o Estado assuma uma função de dirigir os investimentos porque as novas ideias precisam ser livres. A gente pode, pelo menos, aproximar as pessoas que têm demandas e as pessoas que têm soluções, a meu ver, é passo importante e o Estado pode exercer essa função.

 

4) ⁠ O senhor afirmou que muitas vezes as universidades públicas ficam um pouco fechadas em seus próprios problemas. Como o senhor acredita que é possível lidar com esse contexto de forma que as universidades possam tomar iniciativas para o desenvolvimento da inovação?


Podem ser feitos contratos de licenciamento de tecnologia com empresas privadas, investir mais em pesquisa e tecnologia, trazer mais o setor privado para dentro das universidades, levar as universidades para esse diálogo com empresas de forma a buscar soluções para os problemas do dia a dia. Claro, respeitando sempre a propriedade intelectual, o que pode até se tornar uma fonte de receita relevante para as próprias universidades, que tem um problema crônico de receitas para seus campi. Quem sabe esse trabalho de criar produtos, criar patentes, possa também ser uma forma de ajudar na obtenção de receitas necessárias para suas atividades. Há uma visão de que as universidades estão trabalhando para si mesmas e não voltadas às necessidades da população e do setor privado, o que é muito ruim. Então, talvez seja importante pensar em avaliações de desempenho das universidades baseado em critérios dessa espécie, como por exemplo, quantas patentes foram registradas, quais foram as parcerias feitas com o setor privado. Não no sentido de punitivista, mas de incentivar que se abra mais ao diálogo com as empresas.

 

 

 

 

*Lucas V. de Araujo: PhD em Comunicação e Inovação (USP).

Jornalista Câmara de Mandaguari, Professor UEL, parecerista internacional e mentor de startups.

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