1) Quais foram os principais projetos que o senhor realizou no seu mandato até o momento em prol do desenvolvimento da inovação e do empreendedorismo no Paraná e no Brasil?
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Na verdade estamos muito atrasados nesta área. Sabemos que o crescimento econômico e social depende muito de inovação e tecnologia e investimento em pesquisa, os quais precisam de um ambiente favorável para crescer. Infelizmente, nos últimos anos, o Brasil está na contramão disso insistindo em uma carga tributária muito alta e colocando algumas questões como prioritárias, as quais poderiam ser pensadas depois.
Um exemplo é a regulamentação da inteligência artificial, mas no fundo o que precisamos é trazer investimentos e depois fazer uma regulação mais precisa. Os problemas vão surgir a partir desses investimentos. Nós temos boas iniciativas no nosso país, como é o caso do Festival Internacional de Inovação de Londrina (FIIL), que realiza um fomento muito importante e que poderia ajudar a desenvolver o ambiente de negócios.
Eu estive em Paris no Station F, que é o maior campus de startups do mundo, um enorme hub de inovação digital. Lá vi muito do trabalho que foi realizado no FIIL, mas de maneira permanente. Essa é uma experiência que a gente poderia reproduzir no Paraná, como se fosse uma feira de inovação permanente para pequenos negócios e desenvolvimento de pesquisa e tecnologia.
2) De que maneira o senhor acredita que a pesquisa acadêmica, feita principalmente nas universidades, poderia se aproximar das empresas e instituições de forma a fomentar novos negócios, criar startups, e termos um ambiente mais propício à inovação?
Muitas vezes é preciso criar pontes, como é o caso do Agro Valey daqui de Londrina ou de iniciativas como a Rota da Tecnologia Caipira, que reúne polos de inovação e tecnologia do agronegócio no interior de São Paulo como em Piracicaba. Às vezes é unir as pessoas para que elas trabalhem juntas. Uma crítica que se faz muitas vezes às universidades públicas, e eu venho de uma delas, pois estudei na Universidade Estadual de Maringá (UEM) e as respeito muito, é que elas estão muito fechadas em suas realidades.
Como podemos mudar isso? Não é na força, por decreto ou lei, mas fomentando a cultura do compartilhamento de informações e abrindo as instituições para o contato com o mercado privado, para que este vá a elas buscando soluções para os seus negócios. É preciso criar um ambiente permanente de troca de experiências é um dos objetivos dos projetos que nós termos a partir de 2027 para o Estado do Paraná.
*Continua na próxima semana
*Lucas V. de Araujo: PhD em Comunicação e Inovação (USP).
Jornalista Câmara de Mandaguari, Professor UEL, parecerista internacional e mentor de startups.
@professorlucasaraujo (Instagram) @professorlucas1 (Twitter)