Fernando Yabushita é médico ortopedista, cirurgião de quadril, mestre e doutorando em Exercício Físico e Promoção da Saúde pela Unopar, docente da Universidade Estadual de Londrina (UEL)
Márcio Rogério de Oliveira é fisioterapeuta e educador físico, doutor em Ciências da Reabilitação e coordenador do mestrado e doutorado em Exercício Físico na Promoção da Saúde da Unopar
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3) O método inovador criado por você, Fernando, e o seu orientador, Márcio, durante o mestrado foi patenteado?
Fernando: Sim. Inclusive, temos notado um grande interesse da população idosa pelo assunto. Fui dar uma palestra recentemente. Havia 50 inscritos. Apareceram 154. Brinco que o idoso não quer cair porque ele sabe que os tombos são responsáveis por muitas mortes nesse grupo. Então, eles vão em busca de informações. Com esse grande interesse, eu e o Márcio criamos uma empresa de consultoria, treinamento e atendimento chamada Somos Gero, para atender a demanda de vários hospitais, clínicas que querem conhecer e aplicar esse protocolo que desenvolvermos, tendo em vista que essa inovação gera maior qualidade de vida ao idoso. Não podemos deixar de dizer que o médico, às vezes, não pensa muito na gestão do negócio do saúde. Se realizarmos a prevenção do problema, é possível obter uma farmacoeconomia lá na frente, com uma gestão muito mais equilibrada.
4) Márcio, como docente e coordenador de um programa de mestrado e doutorado, como você analisa o cenário atual para o professor e o aluno que querem inovar na área da saúde?
Temos um desafio diferente no nosso programa porque ele é profissional, ou seja, é diferente do mestrado e doutorado acadêmicos. Nestes, o produto final consiste em o aluno criar um artigo científico. Nos programas profissionais, como o que eu coordeno, o aluno deve desenvolver um produto técnico. Quando eu e Fernando começamos a trabalhar no mestrado, enxergamos uma lacuna. Atualmente, o paciente chega com uma fratura ao médico ortopedista, é feita a osteossíntese ou artroplastia, e muitas vezes o paciente não recebia todos os cuidados necessários para evitar novas fraturas. Quando começamos a trabalhar juntos, buscamos suprir justamente essa lacuna. É importante o docente entender com quem está no mercado as dificuldades e lacunas que existem.
5) Quais são os principais gargalos e desafios para que sejam criadas inovações como a que vocês desenvolveram de maneira mais recorrente?
Márcio: Esse é um gargalo de todas as universidades, já que muitas vezes as pesquisas ficam presas dentro das instituições de ensino. Programas de mestrado e doutorado profissionais, como que a gente coordena, tentam romper essa barreira por meio de parcerias com empresas para que propostas desenvolvidas nas universidades gerem benefícios para a sociedade. Recentemente, eu e Fernando fizemos uma parceria com uma empresa que produz equipamentos para academias, detentora da marca Drako, na qual iremos montar dentro da universidade uma academia totalmente estruturada para podermos desenvolver inovações que levem maior qualidade de vida às pessoas. Vimos isso acontecer de forma tímida nas universidades, mas existem iniciativas boas, com do curso de odontologia que desenvolveram materiais que foram patenteados no Japão.
6) Para você, Fernando, que trabalha em uma instituição pública, até que ponto o fator cultural ainda dificulta o desenvolvimento de inovação?
Com certeza é um aspecto que dificulta muito. Você esbarra não só em questões acadêmicas, mas também no problema financeiro. Então, o ideal é realizarmos projetos inovadores nos quais a
gente consiga fomento para levá-los adiante. Caso contrário, fica dentro das universidades e não pode ser explorado lá fora. A partir de iniciativas como do Laboratório de Inovação do Departamento de Clínica Cirúrgia, coordenado pelo professor Carlos Vaz, estamos tendo maior visibilidade e obtendo mais recursos para poder levar esse conhecimento para fora da universidade, seja em forma de novos produtos e serviços ou cursos e outros instrumentos didático-pedagógicos.
Márcio: Após a ampla repercussão das parcerias que realizamos, nós fomos selecionados em um edital do CNPq (órgão do Governo Federal de fomento à ciência) para realizarmos nossas pesquisas com recursos na ordem de R$ 120 mil.
*Lucas V. de Araujo: PhD em Comunicação e Inovação (USP).
Jornalista Câmara de Mandaguari, Professor UEL, parecerista internacional e mentor de startups.
@professorlucasaraujo (Instagram) @professorlucas1 (Twitter)