Edna Almodin é médica, especialista em oftalmologia, cursou MBA e mestrado em Administração em Oftalmologia, primeira e única presidente da Sociedade Brasileira em Administração em Oftalmologia, presidente do Hospital Almodin
1) Quais foram as inovações que a Sra já desenvolveu ou ajudou a desenvolver?
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No ano de 1996 iniciei uma parceria com médico Paulo Ferrara, criador do anel intra corneano, e a partir daí passei a participar do desenvolvimento e atualizações dos anéis intracorneanos. Também fui coordenadora de mais de 25 wet labs anuais para implantação de anel nos congressos da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, Sociedade Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa e Congresso Internacional de atualização em Oftalmologia de Maringá. O anel passou por diversas modificações ao longo do tempo. Hoje temos arcos menores, 90° e 120° de comprimento de arco, que corrigem mais astigmatismo e menos miopia, e arcos longos de 210° e 320° que corrigem mais miopia e menos astigmatismo. Em 2002 vimos que a oftalmologia estava crescendo muito em busca de soluções para a presbiopia (vista cansada após os 40 anos de idade). As lentes multifocais surgiam melhorando a visão de perto, mas traziam muitos halos e glare noturno, o que limitava suas implantações. Então o médico Stuart Cumming (Inglaterra) convidou-me para participar de um trial com uma nova lente intraocular, onde obtivemos bons resultados. Era a chamada lente acomodativa, uma lente monofocal que tinha hápticas móveis nas suas 2 periferias, que se contraiam com o movimento do músculo ciliar na acomodação e assim melhorava a visão de perto. Vantagem: nenhum halo noturno. Desvantagem: dependia da força do musculo ciliar de cada paciente e a visão de perto era melhorada em 100% dos casos, mas não era excelente para todos. Então esta lente foi retirada do comércio com a chegada de novas lentes com melhores resultados e de outros fabricantes. Tenho pacientes até hoje implantados com esta lente e satisfeitos com seus resultados, mas era uma lente articulada com movimentos e, de difícil implantação dentro do saco capsular, o que também foi um empecilho na época.
2) A medicina é um setor cujo custo para desenvolver inovação é extremamente alto. Como a sra vem desenvolvendo inovação neste cenário?
O desenvolvimento de novas tecnologias e instrumentais sempre começa com as nossas insatisfações e frustrações com os resultados que temos em determinados tratamentos. Para tal desafio, criamos nosso parque industrial que conta com engenharia e farmacêuticos voltados aos novos desenvolvimentos. A Ingá Material Médicos e Hospitalares em Maringá e Perobal. No Hospital Almodin temos laboratórios de pesquisas e pesquisadores onde tudo começa. Primeiro vem o problema, daí o desafio. Em seguida, o grupo de pesquisa começa a pesquisa básica de literatura procurando o quê e quem já está pensando o mesmo que nós. Daí vem as ideias de técnicas e equipamentos. Após o projeto, seguindo o desenvolvimento de protocolo com protótipos de equipamentos e técnicas. Depois os trabalhos experimentais, e após a aprovação a aplicação prática e a comercialização pelas indústrias. Assim viabilizamos a pesquisa com nosso próprio fomento. Criamos também a EG Almodin Educacional nosso braço de ensino, com editora própria e instalações para ensino teórico e prático. É um trabalho difícil e envolve equipe multidisciplinar, envolvendo engenheiros, biólogas, bioquímicas e farmacêutico industrial. Hoje temos vários doutores e mestres em nossas equipes com experiencia internacional. Naturalmente, se faz necessário o desenvolvimento de relacionamentos com pesquisadores de outros países, onde temos grandes amigos. Foi e é um trabalho difícil. Esta caminhada já dura 45 anos e agora a segunda geração, nossas filhas estão começando a participar e seguir caminhos semelhantes. Temos também parcerias com Universidades que nos proporcionam a utilização de biotérios em trabalho conjunto e autorizações da Comissão nacional e ética em pesquisas terapêuticas invasivas.
*Lucas V. de Araujo: PhD em Comunicação e Inovação (USP).
Jornalista Câmara de Mandaguari, Professor UEL, parecerista internacional e mentor de startups.
@professorlucasaraujo (Instagram) @professorlucas1 (Twitter)