3) A área médica é tradicionalmente empreendedora. Para inovar, todavia, é preciso um ecossistema forte com entidades, empresas privadas, universidades, órgãos públicos trabalhando em conjunto. Como o senhor avalia o ecossistema de inovação da área da saúde em Londrina e região?
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O ecossistema de inovação em Londrina e região vive um momento de consolidação e ascensão, especialmente no setor da saúde. Embora ainda esteja em fase de amadurecimento quando comparado a verticais mais tradicionais, como o agronegócio, a cidade apresentou um avanço significativo na articulação entre universidades, hospitais, setor público, empresas e entidades de apoio, criando uma base sólida para o surgimento de novos negócios, pesquisas aplicadas e tecnologias de impacto.
Grande parte disso deve-se à atuação do SALUS, que reúne universidades, hospitais, clínicas, startups, empresas de tecnologia, órgãos públicos e entidades como Sebrae e Codel, e tem exercido papel central em conectar esses atores, promover projetos colaborativos, estimular a criação de novos negócios e transformar as demandas reais do sistema de saúde em soluções inovadoras. O encontro anual Health Connect Summit é um evento estratégico que sintetiza essas ações do SALUS.
4) Baseado na sua experiência como docente, os alunos de medicina, que formam a futura geração de profissionais, de forma geral têm interesse em inovação, startups e no desenvolvimento de empresas nascentes de base tecnológica?
De modo geral, com certeza, muitos alunos de Medicina demonstram um interesse crescente por inovação, startups e pelo desenvolvimento de soluções tecnológicas. Eles convivem diariamente com as dores reais do sistema de saúde, tanto na prática hospitalar quanto no contato com pacientes, e isso os coloca em uma posição privilegiada para identificar problemas que precisam ser resolvidos. Muitas ideias relevantes surgem justamente desse olhar clínico e da vivência concreta dos desafios assistenciais.
Porém, infelizmente, apesar desse potencial, a maior parte dos estudantes ainda carece de conhecimento estruturado sobre como inovar: não conhecem metodologias de desenvolvimento de produtos, etapas de validação, processos regulatórios, propriedade intelectual, modelos de negócios ou os caminhos para transformar uma ideia em um protótipo, e um protótipo em uma startup. Falta, portanto, um ambiente formativo que mostre que inovar em saúde é possível, acessível e parte integrante da carreira médica contemporânea.
Creio que potencial existe em abundância; o que falta é orientação, trilhas educativas e um ecossistema que acolha essas ideias e as transforme em soluções reais.
*Lucas V. de Araujo: PhD em Comunicação e Inovação (USP).
Jornalista Câmara de Mandaguari, Professor UEL, parecerista internacional e mentor de startups.
@professorlucasaraujo (Instagram) @professorlucas1 (Twitter)