Todos os anos desde mais de 20 décadas em um vale de montanhas altas e cheias de neve do Norte, durante o inverno, na época de Natal, era feito um boneco de neve enorme no meio da pista de esqui, para alegrar aos visitantes. Esse enorme e engraçado boneco era feito pelas crianças que chegavam, e pelas que moravam nas montanhas. Sempre foi uma alegria e uma grande festa o construir, pois depois todas as crianças ganhavam um chocolate quente e tinham o dia inteiro para esquiar.
E como era feito este enorme boneco? Pois sempre do mesmo jeito. Reuniam-se as crianças no meio da pista e levavam pás e todos os outros materiais: um velho cachecol colorido como o arco – Iris, um gorro de lã vermelho, uma cenoura enorme cor laranja brilhante e vários botões de diferentes cores y tamanhos, haviam redondos , quadrados, triangulares, e de cores azul, amarelo,verde e marrom.
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Enquanto faziam as enormes bolas de neve que faziam parte do corpo e da cabeça do boneco, todos cantavam uma velha canção: "vamos cavando, vamos juntando, neve branquinha começou por uma bolinha y terminamos colocando no boneco um nariz de cenourinha"....
Ao meio dia estava pronto! E a criançada corria a beber seu chocolate quente na cabana da dona marina, uma velinha de cabelos grisalhos e sorriso doce.
Mas desta vez, uma pequena garotinha chamada Vitória, de vestido azul, meias de la ̃ pretas e luvas coloridas, não saiu correndo em busca do seu chocolate.
Ficou parada olhando o enorme boneco que haviam feito. Observou seu rosto com dois olhos de botões azuis, nariz de cenoura e uma boca sorridente de vários botões vermelhos. Viu o cachecol que caia sobre o corpo desde a cabeça e os outros botões, que como uma fila, descia da cabeça ao chão fazendo-o parecer que vestia uma jaqueta. Vitoria sentia que algo faltava no boneco. Não parecia muito feliz.
Quando ela se virou de costas escutou:
- Ei ,ei, você!
Vitoria se virou rápido como um tornado, com os olhos arregalados, e disse:
- Você, fala?
-Claro, que falo! Mas, nunca nenhuma criança ficou o tempo suficiente para eu poder conversar.
-E o que você quer?
-Eu quero esquiar!
- Mas como? De que jeito você faria isso? Você esta preso ao chão!
-Preciso de pés e de braços para os esquis, por isso preciso de você para me ajudar!
Vitoria inclinou a cabecinha e começou a pensar "como consigo pés e braços para ele?"
De repente fez Click ! Na sua cabecinha e teve uma idéia!
-já, sei que fazer, me espera que volto logo. E sabe o que? Irei com você a esquiar também!
O boneco de neve ficou animadíssimo! E mexia seu nariz de cenoura de um lado para o outro em sinal de alegria.
Passou o tempo em que a gente demora em tomar um grande sorvete e Vitoria voltou com um par de sapatos velhos, duas luvas, dois galhos finos de pinho e os esquis com os bastões.
-Pronto. Disse animada, vou colocar isto em você.
Pegou os galhos e colocou cada um ao lado do boneco e em cada uma de suas pontas botou uma luva e um bastão. No chão perto do corpo de boneco colocou os dois sapatos junto com os esquies.
-Prontinho, agora me espere colocar os meus esquis e vamos a esquiar! Disse Vitoria.
O boneco ficou tão alegre, que estendeu seus bracinhos de galhos e abraçou Vitoria.
- Vamos, um, dois, três .....eeeeé....vamos lá!
E se jogaram montanha abaixo pela neve, sentindo o vento frio no rosto, rindo, fazendo curvas, piruetas e dando enormes gargalhadas que faziam eco nas montanhas. O sol estava radiante e fazia brilhar os botões do boneco e o vestido azul de vitoria se abria como um guarda-chuva com a velocidade da decida.
Passaram a tarde esquiando. De repente o boneco, parou de esquiar e disse a Vitoria:
-Precisamos voltar está escurecendo e amanha devo estar na pista alegrando aos visitantes.
-Tudo bem respondeu Vitoria, voltamos agora.
E lá foram os dois. Ao chegarem Vitoria tirou os galhos, as luvas, os sapatos e os esquies do boneco. Ele ficou quieto sorriu e falou:
- Vitoria hoje foi o dia mais feliz de todos os anos de minha vida! Obrigada.
Vitoria se sentiu emocionada, deu um beijo na barriga do boneco e se foi.
No outro dia, lá estava o enorme boneco enfeitando a pista de neve, só que agora brilhava muito e seu sorriso era contagiante, e todos os que passavam perto davam uma enorme gargalhada.
Glenda Alvarez é psicóloga e escritora.