"Vá em paz". Esta era sempre a última frase pronunciada por Agostinho Garrote ao se despedir de alguém após uma longa conversa ou um rápido bate papo. O ex-presidente alviceleste faleceu nesta quarta-feira (12), aos 64 anos, vítima de um AVC.
Agostinho Miguel Garrote era uma pessoal que transmitia uma tranquilidade e uma paz de espírito impressionantes. Sua voz era sempre calma e baixa em qualquer lugar que o encontrasse seja na rua, no Calçadão, no VGD ou no estádio do Café.
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Em todas as nossas conversas nunca deixava de perguntar como ia a vida, o trabalho e a família. E dezenas de vezes fazia questão de lembrar do meu saudoso pai. Era sempre reconfortante ouvi-lo.
Muito mais do que ter sido presidente do Londrina, Agostinho abraçou o clube quando quase ninguém mais queria saber dele. Ao assumir o LEC em 2005, cheio de dívidas e incertezas quanto ao futuro, Garrote salvou o clube do fim. Talvez se não fosse por ele, o LEC não tivesse chegado aos dias atuais.
Se não foi o melhor presidente alviceleste da história do ponto de vista administrativo, organizacional e empreendedor, deixou a sua marca para sempre como talvez o mais apaixonado deles. Seu amor pelo clube norteou todas as suas ações a ponto de tornar célebre a sua mais famosa frase: "enquanto houver um torcedor vivo o Londrina não deixará de existir".
Garrote jamais deixou de ir a um jogo do LEC. Queria encontrá-lo era só se dirigir a um setor específico das cativas do Café, onde se reunia com amigos e conselheiros do clube. Era o setor dos línguas pretas, como eles mesmos definiram. Ali se discutia futebol e a paixão pelo alviceleste. Sempre sob o comando de Garrote, que muitas vezes se emocionava com as vitórias e as derrotas na mesma proporção.
Talvez por tudo isso era um dos presidentes mais idolatrados pela torcida, apesar de comandar o clube em um dos seus piores momentos. Era aquele dirigente raiz, para usar um termo da moda.
Agostinho Miguel Garrote vai fazer muita falta. Ao Londrina, a Londrina, ao estádio do Café e aqueles que tinham o privilégio de encontra-lo para uma boa conversa. Vá em paz, presidente!