Se a CBF fosse uma entidade séria, a venda de mando de jogos já teria sido proibida a muito tempo no futebol brasileiro. Isso é uma aberração e só acontece em futebol do terceiro mundo.
Diante disso, sou contra a venda de qualquer jogo do Londrina nesta série B. O LEC tem que jogar no estádio do Café, ao lado da sua torcida. Seja ela grande ou pequena.
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Mas, como a regra permite a venda de mando, não serei hipócrita em crucificar o gestor do clube, caso surja uma proposta financeira interessante para negociar o jogo contra o Vasco. A crise financeira poderia justificar. Mesmo assim continuo sendo contrário a ideia.
Os públicos nos três jogos do Londrina como mandante até agora foram pequenos - 3.054 pagantes contra o CRB, 1.950 diante do Náutico e 1.873 contra o Paraná - e o clube teve prejuízo financeiro nos dois últimos. A torcida está devendo.
Vale ressaltar que públicos pequenos não são exclusividade do Londrina. É uma realidade no país todo, com raríssima exceções, e por vários motivos, entre eles a crise econômica, o futebol hoje é feito para a televisão, estádios ruins, sem conforto e tantas outras questões.
A torcida do LEC está longe de ser exemplo de fidelidade ao clube, mas apenas culpa-lá pelo estádio do Café estar sempre vazio é, no mínimo, uma injustiça muito grande.
O Londrina tem uma parcela de culpa muito grande nesta situação e sabe disso, apesar de sempre buscar um outro culpado e passar as responsabilidades adiante.
O distanciamento do time e a forma como o clube trata o seu maior patrimônio contribuem definitivamente para isso. Vender o jogo contra o Vasco seria um equívoco definitivo. E uma separação quase irreversível com a torcida.
O Londrina quer pelo menos R$ 500 mil livres para atuar em Brasília. Uma das propostas já teria chegado a R$ 350 mil. O clube jamais conseguiria este valor no Café. Para sobrar isso, teríamos que ter 30 mil pagantes.
Meio milhão de reais é uma bela verba, mas fora da realidade. Acho quase impossível alguém bancar um valor desse. O estádio Mané Garrincha teria que lotar, para sobrar alguma coisa para o organizador.
Uma prova disso foi o jogo entre Vila Nova e Vasco na capital federal. O público pagante foi de 5.816, com renda bruta de R$ 183.741,00. Sobrou para o organizador da partida apenas R$ 133.050,38. E o Vila falando que recebeu R$ 700 mil de cota livre. Dúvido. Só se tiver promotor de evento trabalhando por filantropia.
O futebol hoje é 99,99% mercantilista e 00,01% paixão. O que é uma pena e quem paga é sempre a parte mais apaixonada e fraca: o torcedor. Respeito a decisão do Londrina se preferir vender o jogo, porém discorde totalmente.
A escolha é arriscada e precisa ser muito bem analisada. A entrada de alguns punhados de reais na conta pode significar a perda de mais uma parte daqueles que realmente gostam e se preocupam com o clube.