O imbróglio jurídico que se tornou a posse do Vitorino Gonçalves Dias terá ainda muitos capítulos e, independentemente, da decisão final vai agradar alguns e desagradar outros.
O Londrina quer a renovação da concessão. O município quer voltar a administrar o estádio. É importante ressaltar que grande parte deste problema é por culpa do Londrina.
Quando se encerrou a concessão de 20 anos em 2009, o VGD estava com vários problemas graves estruturais, interditado e sem poder receber jogos oficiais. O LEC não cuidou bem do patrimônio. Este é um ponto.
Não havia como mesmo a prefeitura renovar a concessão com o estádio nestas condições. E também não poderia receber o bem da forma como estava. É a mesma coisa que você alugar uma casa, não cuidar dela e quando terminar o contrato querer renovar ou devolvê-la sem as reformas necessárias.
Também não sei se o município terá condições de cuidar bem do estádio. O que se vê hoje na administração pública é que todos os patrimônios não recebem a atenção que merecem.
Acredito que o Londrina deveria abri mão do VGD e pensar no futuro. O próximo presidente terá como missão maior planejar o futuro do clube.
Sei que o VGD faz parte da história do futebol de Londrina e do Tubarão. Um palco de muitas glórias. Respeitar e homenagear o passado é fundamental para ter um futuro digno.
O sentimentalismo no futebol é válido, mas hoje é preciso agir com a razão também. Se não fosse assim, o Atlético-PR não teria demolido o velho Joaquim América para construir um dos estádios mais modernos do país, o Grêmio não teria vendido o Olímpico, local das maiores glórias do clube, para erguer uma arena maravilhosa, o Palmeiras não teria demolido o Parque Antárctica para construir um novo Palestra Itália.
Já que a prefeitura quer tanto o VGD, proponho uma troca. Que o clube se articule e peça ao prefeito que envie um projeto de lei para a Câmara Municipal para a doação de um terreno para o clube. O município reassume o VGD e o Londrina começa a construir uma nova etapa na sua história.
Com o dinheiro que o Londrina gastaria para recolocar o VGD em condições de uso, ele pode usar para começar a construir uma nova sede, que seria sua propriedade.
O LEC tem sete anos para erguer uma nova sede, um CT, um clube social e até mesmo um estádio próprio no futuro. Sonhar não custa nada. E as grandes realizações mundiais nasceram um dia de um sonho.
Pelo que projeta o Londrina para voltar a ser grande no futebol brasileiro, estar de volta a uma Série B quem sabe em quatro, cinco anos, o VGD não cabe mais nos projetos alvicelestes. Com todo o respeito que tenho pelo estádio.
É preciso pensar para frente, de olho no futuro com criatividade, profissionalismo, responsabilidade e ousadia. Que os homens que administram o clube hoje e os que virão a partir de 2014 possam pensar e trabalhar projetando um futuro diferente para o Tubarão. É hora de dar um salto de qualidade.