A maioria das multas nos salários dos jogadores de futebol é da boca para fora. Quase nunca é concretizada pelos dirigentes. É uma forma de tornar pública uma cobrança ou uma insatisfação de quem paga na espera de uma reação positiva do elenco.
No Londrina, a bronca do gestor surtiu efeito. Após o empate com o Guarani, Sérgio Malucelli cobrou publicamente os atletas, anunciou uma multa nos salários e exigiu pelo menos quatro pontos nos dois jogos fora de casa.
O time conquistou seis, por isso, como havia sido acordado se o time atingisse o objetivo, a multa seria retirada. E foi. Os atletas fizeram por merecer.
Talvez, na prática, nem houvesse multa, mas fazer o assunto se tornar público ligou o alerta dos jogadores e o time esteve muito mais concentrado nos confrontos contra Juventude e Tombense.
Saber o momento certo de cobrar é fundamental no futebol. Uma cobrança exagerada e fora do contexto pode levar o time a bancarrota. Malucelli acertou no tom e na hora. Muitos grupos respondem melhor sob pressão.
Como escrevi aqui, quando é pressionado, um grupo pode reagir positivamente ou se encolher ainda mais. O elenco alviceleste mostrou personalidade e se fortaleceu após aquele trágico 2 a 2.
E isso se deu pela bronca, sim senhor, mas também pela qualidade do elenco e da comissão técnica, do trabalho do dia a dia e da estrutura que o clube oferece.
Que novas cobranças públicas não sejam necessárias e que o Londrina caminhe por águas tranquilas até o acesso a série B.