Nem o Celsinho imaginava que a sua chegada apoteótica ao Londrina lhe traria tantas cobranças ao longo destes quase três anos. Voltando ao dia 31 de outubro de 2012 é fácil perceber a expressão de surpresa no rosto do jogador ao descer de helicóptero no gramado do VGD, recepcionado por lindas garotas.
Nesta terça-feira, ao comunicar a rescisão contratual do meia, o gestor Sérgio Malucelli reconheceu que tudo aquilo foi um exagero e pressionou ainda mais o atleta, que surgiu como um gênio do futebol, mas se perdeu nos caminhos da bola e se tornou mais um entre tantos jogadores comuns.
Desde a sua chegada, Celsinho sempre viveu entre o céu e o inferno com a torcida alviceleste. De herói em algumas partidas a jogador comum na maioria delas, o M1t0, como é chamado por parte dos torcedores, viu seu aproveitamento despencar de ano para ano ao mesmo tempo que a cobrança aumentava por um futebol melhor. Dos nove gols marcados em 2013 para apenas dois este ano, sendo apenas um em jogos oficiais.
A fase atual era muito ruim. Condição agravada por uma contusão muscular que o tirou dos gramados por quase três meses. Fora de forma, não rendia o que se espera dele. Por isso, não fará falta, tecnicamente falando. E ainda vai tirar uma pressão natural em cima do treinador para escalá-lo.
Os melhores momentos do meia no LEC foram em 2014, quando foi titular na campanha do título estadual, que o Londrina não ganhava há 22 anos, inclusive marcando um gol na primeira partida da final contra o Maringá, e depois com o acesso para a série C, no segundo semestre.
"Foi para isso que cheguei de helicóptero", chegou a dizer depois do título Paranaense, conquistado no estádio Willie Davids, o que só confirma a sua pouca humildade. Virtude realmente para poucos. Mas, tem seu nome gravado na história vitoriosa do clube e por isso é amado por muitos torcedores. Isso ninguém tira dele.
Celsinho brilhou em algumas partidas, poucas, é bem verdade, e decepcionou na maioria. Talvez porque acreditaram que ele jogava mais do que realmente joga e que poderia resolver todos os problemas do LEC. O que jamais aconteceria na prática.
Se recusou a dar entrevista para a imprensa local por um período, justamente quando magoou demais a torcida após uma noite de balada em uma boate londrinense. O torcedor não o perdoou e as cobranças aumentaram.
Acho que o elenco alviceleste precisava de uma sacudida dessas. As vezes, uma autoconfiança em demasia faz o time se perder nos seus próprios caminhos. Os últimos jogos mostraram isso.
Uma pena que Celsinho deixa o Londrina pela porta dos fundos. Que o Londrina vire a página e que as viúvas não atrapalhem o time, que precisa retomar o rumo para voltar a ser forte na série C. E que o jogador siga o seu caminho e seja feliz.